Renovação Carismática Católica diz que acusado de cometer crimes sexuais contra mulheres não era líder religioso em Muriaé

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Nota aponta que Roney Schelb não era membro oficial do movimento na cidade. O investigado, alvo de reportagem do Fantástico, foi preso na região metropolitana de BH após ser apontado por crimes sexuais contra as vítimas em 11 estados e no DF.

Roney Schelb, de 32 anos, acusado de cometer crimes sexuais contra pelo menos 173 mulheres em 11 estados e o Distrito Federal, era líder religioso de um grupo de jovens da Renovação Carismática em uma igreja católica em Muriaé, segundo reportagem do Fantástico que foi ao ar neste domingo (20). Contudo, nesta segunda-feira, a Renovação Carismática Católica (RCC) do estado de Minas Gerais emitiu uma nota dizendo que ele não era membro oficial e que ele se aproveitava de aberturas durante os eventos religiosos para falar com os jovens.
A história dele foi revelada pelo Fantástico em reportagem nesse domingo (20). Roney foi preso pela Polícia Civil em Juatuba, na Grande BH, no dia 11 de outubro, após investigações da Delegacia de Crimes Cibernéticos na operação denominada “Sodoma”.
A assessoria da Delegacia de Crimes Cibernéticos que o homem fez pelo menos 15 vítimas na Zona da Mata. Segundo o delegado da capital mineira, Magno Machado Nogueira, ainda é difícil precisar o número exato, já que o processo ainda está em levantamento e pode ter muito mais mulheres que foram vítimas de Roney na região.

Contratos de escravidão sexual

Segundo as investigações, Roney escolhia as vítimas pela internet e pagava por nudes, fotos e vídeos sensuais. Porém, ele enviava falsos recibos de transferência bancária e, após receber as primeiras imagens, começava a chantagear as mulheres.
Roney Schelb agia como líder religioso em grupo jovem de Renovação Carismática em igreja católica de Muriaé — Foto: TV Globo/Reprodução

“Ele fazia uma promessa que variava de R$ 4 mil a R$ 10 mil apenas para algumas fotografias e vídeos em poses sensuais. Só que, já de posse desses materiais ele utilizava para extorquir as vítimas alegando que iria divulgar para familiares, para amigos e para o local de trabalho” explicou o delegado.

Uma das vítimas, que teve a identidade preservada, relatou ao Fantástico que homem pedia muitos arquivo durante o dia. “Era mais de 20 vídeos e fotos todos os dias e e eu era obrigada a mandar”, relatou. As diversas vítimas contaram à reportagem que ele sabia onde elas trabalhavam, sabiam o nome de parentes e ameaçavam matar os familiares.
Perfis falsos que Roney utilizava para aliciar e estuprar mulheres — Foto: TV Globo/Reprodução
Segundo a Polícia Civil, Roney controlava cinco perfis falsos em redes sociais e aplicativos de mensagens. A corporação chegou a suspeitar que se tratava de uma quadrilha, uma organização de favorecimento a prostituição.
As vítimas acreditavam que estavam falando com várias pessoas, mas todas as mensagens eram escritas por Schelb com o intuito de enganar e estuprar mulheres.
Uma dessas “personalidades” criadas por Roney foi o de jovem líder religioso. Em uma das palestras para os jovens da igreja católica em Muriaé, ele chegou a citar o livro Cinquenta Tons de Cinza, de E. L. James. Na história, um milionário elabora um contrato de submissão com uma mulher.
O homem elaborou com várias das vítimas uma espécie de contrato de escravidão sexual, o que o delegado Magno Machado Nogueira classificou como uma “aberração jurídica”. O documento, assinado por uma das vítimas, dizia que a mulher teria que fazer tudo o que Schelb quisesse, sem limites. Além disto, o contrato “permitia” que Roney a agredisse com a força que ele desejasse e a qualquer momento.
Durante cumprimento de busca e apreensão na casa de Roney, na religião metropolitana de Belo Horizonte, foi encontrado um arquivo detalhado com informações de diversas vítimas, tratadas por ele como escravas sexuais.

Estupro virtual

Os investigadores descobriram que várias mulheres de Minas Gerais e de alguns outros estados foram obrigadas a encontrar pessoalmente com Roney e então foram estupradas. Vítimas de outros estados eram chantageadas pela internet.
É o chamado estupro virtual, conforme explicou o delegado Magno.

“Essas mulheres eram obrigadas a fazer sexo com terceiros ou com animais e enviar as filmagens para o Roney”, contou.

Menores

A Polícia Civil identificou, até o momento, oito menores de idade entre as vítimas. Um dos casos é uma adolescente de 13 anos em Muriaé. A Delegacia de Crimes Cibernéticos informou que o caso da menina teria ocorrido em setembro de 2018 e que Roney havia abordado a vítima pelas redes sociais, pedindo fotos e depois a ameaçando divulgar as imagens e pedindo dinheiro.

Defesa e acusação

Após a prisão, Schelb negou todas as acusações em entrevista coletiva a imprensa.
A Polícia Civil informou que ele vai responder por diversas acusações de estupro e violação sexual mediante fraude, além de armazenar e produzir material pornográfico com menores de idade.

“Era um cidadão sádico, com um grande número de crimes contra dignidade sexual das mulheres, crimes contra a humanidade, uma vez que ele fazia essas mulheres de escravas da forma mais covarde e assustadora que tivemos notícias”, concluiu o delegado responsável pelo caso.

Renovação Carismática Católica

Após a denúncia do Fantástico, a Renovação Carismática Católica (RCC) do estado de Minas Gerais divulgou uma nota nesta segunda-feira. Veja abaixo.

“A Renovação Carismática Católica (RCC) do estado de Minas Gerais vem, por meio desta nota, se posicionar a respeito de reportagem veiculada na TV Globo e afiliadas, sobre um suspeito de praticar abusos, que seria um suposto membro do movimento na cidade de Muriaé, pertencente à Diocese de Leopoldina.

A RCC ESCLARECE QUE Roney Schelb NÃO ERA um membro oficial do movimento na cidade, que nunca foi líder de nenhum grupo, exatamente porque nunca realizou nenhum tipo de formação ou curso, que são obrigatórios.

Sobre o fato de Roney estar conduzindo um momento de ensino no vídeo mostrado na reportagem, o movimento esclarece que ele tinha o costume de participar de vários grupos pela cidade e que é de praxe que esses grupos abram o microfone para partilhas e testemunhos de participantes, e que ele se aproveitava destas aberturas para falar com os jovens.

A RCC destaca ainda que nunca tomou conhecimento dos crimes sob os quais Roney segue como suspeito e que ele sempre demonstrou ser uma pessoa de boa índole, portanto, também nunca deixando claro para o movimento o que estaria acontecendo fora de suas participações dentro dos grupos.

A RCC ressalta que os grupos são regidos por pessoas capacitadas, que o movimento também foi “pego de surpresa” com as acusações contra Roney e espera que a justiça esclareça os fatos.

Por fim, o movimento destaca ainda que nos seus 50 anos de trajetória pelo Brasil e 52 anos no mundo, sempre prezou pelo respeito aos participantes e pala capacitação daqueles que, de fato, são membros do movimento. E lamenta que terceiros possam estar utilizando o nome do movimento para intenções particulares.

Minas Gerais, 20 de outubro

Renovação Carismática Católica do estado de Minas Gerais”

Fonte: portal G1 Zona da Mata

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