Muriaé lança campanha contra esmola

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Cidade possui instituições de atendimento especializado a este público.

A Prefeitura de Muriaé, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), está realizando uma campanha contra o ato de se dar esmola a pessoas em situação de rua. Promovida desde 2017, a iniciativa alerta que o hábito não oferece dignidade para a pessoa que faz da rua seu local de moradia e/ou sobrevivência.

“Dar esmola acaba colaborando para que as pessoas se mantenham na situação de rua. Essa campanha tem o objetivo de promover uma conscientização da população e mudança de hábito. A partir do momento em que essas pessoas recebem doações nas ruas, fica mais difícil para elas quererem acessar os dispositivos oferecidos pela política de assistência social. Existem formas mais eficientes e eficazes de ajudar essas pessoas”, afirma a secretária técnica do secretário da pasta, Giselle Braga.

Entre as principais causas à permanência na rua estão conflitos familiares, desemprego, transtorno mental, atos infracionais e problemas com álcool e outras drogas. Segundo dados da SMDS, Muriaé possui, de modo permanente, cerca de 40 pessoas vivendo desta forma. Grande parte dessas pessoas têm residência ou familiares na cidade. Além disso, há ainda os migrantes que são atendidos pela Casa Acolhedora e Centro POP, que passam por Muriaé pela posição geográfica do município em dar acesso a outras cidades da região.
Ainda de acordo com Giselle, principalmente durante períodos festivos, como Natal e Ano-Novo, essas instituições – Centro POP e Casa Acolhedora – ficam vazias, pois os usuários vão para as ruas pedir esmolas, aproveitando o sentimento de solidariedade das pessoas que se aflora mais neste período.

Atendimento à população de rua

Para atender e oferecer suporte a este público, a Prefeitura oferece serviços especializados e também para aqueles que estão em uso de álcool e outras drogas, como a Abordagem Social, Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS AD 3), além do Centro POP e Casa Acolhedora.
Atualmente, o Centro POP faz acompanhamento mensal de 41 pessoas, oferecendo a elas oficinas terapêuticas, emissão de segunda via de documentos, entre outros serviços.  Já a Casa Acolhedora oferece mensalmente 130 atendimentos para migrantes. No último mês, a Prefeitura concedeu 620 refeições em ambas as instituições e 81 passagens rodoviárias para acesso a outros municípios em um raio de 60km.
De acordo com levantamentos da Secretaria de Desenvolvimento Social, cerca de 80% das pessoas em situação de rua em Muriaé é composta por homens. Apenas 12% são mulheres, e a maior parte destas pessoas está em uma idade produtiva, entre 18 e 39 anos.

“Por isso a questão do desemprego, embora não seja a única causa, é extremamente notável e leva esse sujeito a fazer da rua seu local de moradia”, esclarece a assessora técnica.

Parceria com a Polícia Militar

O trabalho está sendo realizado em conjunto entre Prefeitura e Polícia Militar. A PM tem ajudado na realização de abordagens a pessoas em situação de rua – principalmente aquelas desconhecidas que chegam a Muriaé -, para verificar situação familiar e criminal (se for o caso). Vale frisar que a maioria deste público que faz das ruas da cidade seu local de moradia já é cadastrado.
O comandante do 2º Pelotão, tenente Reinaldo, frisa que, além de contribuir para manter essas pessoas em situação de rua, o dinheiro doado pode ser utilizado para aquisição de drogas ilícitas.

“Se alguém quer ajudar, encaminhe essas pessoas para os dispositivos de assistência social do município, que estão fazendo um trabalho exemplar”, orienta.

Distribuição de bebida alcoólica para pessoas em situações de rua

Recentemente, circulou um vídeo em aplicativos de jovens oferecendo bebida alcoólica para pessoas em situação de rua na região da rodoviária. Tenente Reinaldo Costa esclarece que os responsáveis já foram notificados e uma investigação foi iniciada para se verificar o tipo de líquido oferecido, a fim de coibir esta prática. Ainda segundo ele, existe previsão na lei de contravenções penais para coibir este tipo de atitude.

“Atos como este são um desserviço. Reunimos os dispositivos da assistência social, Polícia Militar, Ministério Público e CAPS AD 3 para pensar em políticas públicas e fazer um trabalho sério para essas pessoas em situação de rua, aí  vem alguém com essa proposta de desmontar um trabalho no qual nos debruçamos sobre ele diariamente. É muito triste e lamentável que isto aconteça”, conclui Giselle Braga.

Serviços oferecidos pela Prefeitura para pessoas em situação de rua:

Centro POP e Abordagem Social

  • Endereço: Avenida Coronel Pereira Sobrinho, 87, Porto
  • Horário de funcionamento do Centro POP: de segunda a sexta-feira, das 7 às 17h
  • Horário de funcionamento do Serviço Especializado de Abordagem Social: todos os dias, das 7h às 13h e das 15h às 21h; aos sábados e domingos, das 7h às 13h
  • Telefone Centro POP: 3728-3877
  • Telefone Serviço Especializado de Abordagem Social: (32) 98831-6240

Casa Acolhedora

  • Endereço: Rua Júlio Brandão, 168, Barra
  • Horário de funcionamento: todos os dias, 24 horas por dia
  • Telefone: 3721-4602

Serviço oferecido pela Prefeitura para usuários/pacientes que estão em uso de álcool e outras drogas:

CAPS AD 3:

  • Local: Avenida Vicente Alves, 203, bairro Bico Doce
  • Horário de funcionamento: todos os dias, 24 horas por dia
  • Telefone: 3729-1281

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