Às vésperas da campanha nacional contra o sarampo, Minas entra em alerta

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Postos da rede pública se preparam para imunizar especialmente crianças de até 5 anos. Cobertura desse público, que é o mais vulnerável, não chega a 70% (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press)

Com 63 casos suspeitos da doença em Minas e explosão de contágio em estados da Região Norte, campanha de vacinação busca imunizar 11,2 milhões de crianças.

Com o crescimento de casos na Região Norte do país e a confirmação de diagnósticos no Rio de Janeiro e em São Paulo, Minas Gerais entra em alerta máximo para a prevenção contra o sarampo. O estado não registrava até ontem casos confirmados, embora 155 suspeitas da doença já tenham sido notificadas. Delas, 55 foram descartadas e outras 63 ainda em análise na Fundação Ezequiel Dias (Funed). A doença representa, ao lado da paralisia infantil (poliomielite), a maior preocupação do governo do estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde, na Campanha Nacional de Vacinação neste ano. A atenção se concentra ainda mais nos 1.027.305 menores de 5 anos, público-alvo da mobilização. A meta é vacinar 95% desse contingente, o que equivale a 975.940 crianças.
A campanha deste ano começa na segunda-feira (6/8) e vai até o dia 31, com o Dia D de mobilização programado para o dia 18 deste mês. A preocupação quanto ao sarampo voltou à tona depois que os estados do Amazonas e Roraima registraram um número anormal de casos confirmados, 519 e 272, respectivamente. A concentração dos diagnósticos suspeitos e já confirmados está entre os menores de 5 anos. Por isso, o ideal é que cada criança nesta faixa etária receba duas doses do imunizante: uma tríplice viral (contra caxumba, sarampo e rubéola), entre 6 meses de idade e o primeiro ano de vida, e outra tetraviral (que protege contra as mesmas enfermidades, além da catapora) entre a primeira dosagem e os 15 meses de vida.
Para quem tem entre 2 e 29 anos e nunca se vacinou contra as doenças, a Secretaria de Estado da Saúde indica a aplicação de duas doses, com intervalo de 30 dias. Pessoas entre 30 e 49 anos precisam de uma dose para ficar imunes. Os maiores de 49 anos são considerados imunes ao sarampo, uma vez que já conviveram com a doença.
O reaparecimento do sarampo é atribuído a vários fatores, segundo Rodrigo Said, subsecretário de Proteção e Vigilância de Saúde de Minas Gerais. Entre eles está a negligência da população na hora de vacinar e falhas em processos das equipes técnicas.

“Nosso chamado é para toda a população se conscientizar de que a vacinação é a principal estratégia de contenção de qualquer surto de sarampo”

, ressaltou.
Os dados da Saúde estadual mostram que o maior número de notificações se concentra nas regiões Central, Centro-Oeste, Leste, Sul e Triângulo Mineiro.
O índice de cobertura vacinal tem caído desde 2014. Neste ano, apenas 66,79% do público-alvo está imunizado, segundo a secretaria. A pasta ainda destaca que o índice de vacinação contra o sarampo também esteve baixo no ano passado, quando apenas 88% das crianças foram vacinadas.

“Esse fato é bastante preocupante, uma vez que a maior parte dos casos suspeitos de sarampo ocorre em crianças, geralmente menores de 5 anos, que já deveriam estar como esquema de vacinação completo. Além disso, o índice de complicações e óbitos também é maior nesse grupo”, afirmou a SES.

O desafio também atinge os profissionais da saúde pública, já que a maioria deles nunca precisou tratar pacientes diagnosticados com o sarampo. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com o Hospital das Clínicas, vai promover atividades de capacitação dos servidores lotados nas 4.056 salas de vacinação espalhadas por Minas Gerais. O primeiro compromisso está marcado para amanhã, às 15h, quando palestrantes vão discutir aspectos clínicos e a campanha de vacinação com os trabalhadores. O conteúdo poderá ser acessado pela internet, por meio do www.telessaude.hc.ufmg.br. Intercâmbio com servidores do Amazonas e de Roraima, que têm trabalhado diretamente com a doença, também está no cronograma. Em Minas Gerais, os últimos casos da doença foram confirmados em 2013. Os pacientes, dois irmãos, contraíram sarampo em uma viagem à Flórida, nos Estados Unidos.
(foto: Arte EM)
PÓLIO: Outra doença incluída no quadro de prioridades da Campanha Nacional de Vacinação, a paralisia infantil também representa preocupação em Minas Gerais, que tem apenas 66,34% das crianças vacinadas. Isso representa quase 700 mil menores de 5 anos sujeitos à enfermidade.
A imunização, que se tornou conhecida pelo personagem Zé Gotinha, passa por três doses da Vacina Inativada Poliomielite (VIP) aos 2, 4 e 6 meses de vida. Depois, crianças maiores de 15 meses até os 5 anos devem receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), que é um reforço.
A doença não é registrada no país desde 1990, mas, enquanto houver circulação do vírus, vacinal ou selvagem, em qualquer outro país, há risco de reintrodução da pólio no território brasileiro. A doença está presente em países da África, Ásia e Oriente Médio. A principal forma de prevenção é a vacina.

COMO SERÁ A CAMPANHA

Quando e onde ocorre a campanha?

Entre 6 e 31 de agosto, com o Dia D agendado para 18 de agosto, em postos de saúde de todo o país.

Qual o foco da campanha?

Crianças com idade entre 1 ano e 5 anos incompletos (4 anos e 11 meses).

Crianças que já foram vacinadas anteriormente devem ser levadas aos postos?

Sim. Todas as crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos devem comparecer aos postos. Quem estiver com o esquema vacinal incompleto receberá as doses necessárias para atualização e quem estiver com o esquema vacinal completo receberá outro reforço.

Qual a vacina usada contra a pólio?

Crianças que nunca foram imunizadas contra a pólio vão receber a Vacina Inativada Poliomielite (VIP), na forma injetável. Crianças que já receberam uma ou mais doses contra a pólio vão receber a Vacina Oral Poliomielite (VOP), na forma de gotinha.

Qual a vacina usada contra o sarampo?

A vacina contra o sarampo usada na campanha é a Tríplice Viral, que protege também contra a rubéola e a caxumba. Todas as crianças na faixa etária estabelecida vão receber uma dose da Tríplice Viral, independentemente de sua situação vacinal, desde que não tenham sido vacinadas nos últimos 30 dias.

Adultos participam da campanha?

Não. A campanha tem como foco crianças com idade entre 1 ano e menores de 5 anos.

Mesmo não sendo foco da campanha, adultos precisam de alguma das duas doses?

Sim. Conforme previsto no Calendário Nacional de Vacinação, adultos com até 29 anos que não tiverem completado o esquema na infância devem receber duas doses da Tríplice Viral e adultos com idade entre 30 e 49 anos devem receber uma dose da Tríplice Viral. O adulto que não souber sua situação vacinal deve procurar o posto de saúde mais próximo para tomar as doses previstas para sua faixa etária.

SAIBA MAIS

Sarampo

É uma doença viral, infecciosa, aguda, transmissível, altamente contagiosa e comum na infância. Febre, manchas avermelhadas, dificuldades respiratórias e oculares, como tosse e conjuntivite, são alguns dos sintomas. A transmissão pode ocorrer de uma pessoa a outra por meio de secreções expelidas ao tossir, falar, espirrar ou até na respiração. O contágio pode se dar ainda por dispersão de gotículas no ar em ambientes fechados.

Poliomielite

É doença infecciosa, altamente contagiosa, provocada pelo poliovírus. Em contato com o corpo humano, o vírus se multiplica no intestino e pode invadir o sistema nervoso central, o que leva à perda de massa muscular e paralisia. A transmissão pode ocorrer de pessoa para pessoa por meio de alimentos e água contaminados, ou pelo contato com gotículas de secreções, como ao falar, tossir e espirrar.

Veja mais: Em Muriaé, vacinação contra pólio e sarampo começa na próxima segunda-feira

Fonte: Jornal Estado de Minas/Agência Brasil

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